Mais um alvo obrigatório... A observação é já de Fevereiro mas a disponibilidade só agora permitiu a actualização.
Foram combinadas várias exposições diferentes de modo a fazer sobressair o máximo de detalhes sem queimar as áreas com mais brilho como é caso de toda a zona central onde facilmente se perdem as estrelas ao tentar "puxar" pelos longos braços de matéria mais negra. Embora fácil de encontrar, este objecto é um enorme desafio de processamento. Andei um pouco às voltas pela net para encontrar diferentes formas de abordagem ao processamento no photoshop. Aqui deixo um dos frames usado em bruto, com toda a interferência da poluição luminosa e o respectivo resultado final. É bem evidente o peso do tratamento digital. É claro que a boa matéria prima proporciona boas imagens mas hoje em dia a astrofotografia vai bem além das simples observações e conhecimento celeste.

Fica uma sugestão para as noites nubladas... Pesquisar, treinar e fazer experiências no tratamento digital de imagens. Reprocessar imagens antigas com técnicas diferentes... O processamento para uma determinada imagem pode não ser o melhor para outra. Uma coisa é certa, programas como o photoshop escondem funcionalidades muito poderosas e com um potencial elevado e muitas vezes subvalorizado para o processamento astronómico.
terça-feira, 25 de março de 2008
Orion nebula...
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Pleiades...
Finalmente, hora de testar os efeitos do tunning ao LXD55...
Até agora tudo bem! Mais suave nos movimentos e mais preciso no seguimento... Não quis passar demasiado tempo a fazer testes e queria aproveitar a oportunidade para fazer uma imagem de Pleiades (M45), a minha 1ª! Um dos alvos que sempre designei como prioritários assim que tivesse a oportunidade de fazer ceú profundo, talvez por ser também dos mais evidentes a olho nú. Este enxame é visualmente muito apelativo e a vista através da ocular é das mais bonitas que se pode ter na minha opinião!
Processamento em photoshop (stack de 3 imagens de cerca 60 segs cada), com redução da poluição luminosa. Talvez menos make up para a próxima! Mesmo assim a revelar pormenores importantes, como a tonalidade azulada das estrelas e o seu reflexo na poeira que o conjunto atravessa.
Antes porém da sequência de imagens da M45 não deixei escapar a oportunidade de captar os últimos minutos de um crescente fino da Lua que da sempre um toque distinto a qualquer cenário...
Para terminar uma imagem do meu "observatório"... Uma exposição de cerca de 40 segs a revelar todo o excesso de luz que a D40 vê... A olho nu não se consegue fazer nada sem uma lanterna... Logo dá para perceber a diferença...
Uma excelente noite, sem dúvida!
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Traços estelares...
Este mês de Fevereiro começa de facto em grande! Talvez mostrando que o ano anterior foi de facto atípico e que 2008 voltará ter excelentes dias de sol e naturalmente grandes noites de céu limpo! Isto pelo menos para aqui para o norte...
Um destes agradáveis fins de tarde lá saí para o terraço para espreitar como se estava a pôr o ceú e a noite. Percebi que aquele momento marcava o final do inverno. Naturalmente haverá mais chuva mas o frio e os dias húmidos consecutivos e de céu encoberto, esses seguramente já lá vão...
Trouxe o tripé da máquina fotográfica e decidi fazer uma pequena experiência de longa exposição e registar uns traços estelares... Obviamente que o fiz com algum receio. Apesar dos cerca de 17 km de distância do centro do Porto proporcionarem um céu com uma magnitude razoável, a verdade é que a poluição luminosa continua presente e faz questão de se fazer notar sempre que prolongamos o tempo de exposição... É uma pena mesmo. É praticamente impossível actualmente manter um equilíbrio entre proximidade de uma grande cidade, por questões profissionais e lazer e ao mesmo tempo ter um retiro onde se possa desfrutar de um céu não poluído das luzes da cidade...
Ainda assim depois de alguma cosmética no photoshop a disfarçar o tom avermelhado do ceú, lá ficou o registo...
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Tunning ao LXD55...
A pior sensação que se pode experimentar quando se arranja um precioso tempo para a astronomia é suspeitar que o equipamento não está a funcionar de acordo com aquilo que se espera dele. Na hora de vir para dentro resta uma frustração enorme por ter passado o tempo à volta da máquina e nada de registos nem de prazer de observação... Quando se passa a ter a certeza pensa-se em soluções. Trocar de telescópio estava fora de hipótese... Depois de uma pesquisa no google lá percebi que não era o único e que havia alguns sites a descrever como fazer para repor as condições de funcionamento de todas as engrenagens que fazem parte deste tipo de montagem a funcionar como se tivessem saído de fábrica. Obviamente nunca tinha feito nada do género mas de imediato me recordei do que tinha acontecido quando decidi fazer a alteração da webcam para longa exposição... Se aquela correu bem porque não arriscar? Para além disso até sinto razoavelmente bem com mecânica... O essencial nestas situações é ter umas boas instruções como guia, eu usei as que constam no site do Oldfield e no Astronomy Boy.
Aproveitei os dias de chuva e frio e lá fui, sempre que tinha oportunidade, concretizando esta operação, que para além de resultar positivamente no funcionamento da montagem, ajudam e de que maneira a perceber como tudo funciona. Sempre que estamos a fazer um movimento no autostar nunca mais vemos a coisas da mesma forma porque sabemos exactamente o que está a acontecer. Se existirem problemas ou folgas rapidamente se determina a sua origem. É muito proveitosa neste sentido também, esta operação.
Naturalmente não a vou descrever em detalhe, pois os sites mencionados, fazem-no muito bem. Essencialmente o processo passa por desmontar, limpar toda a velha (e de má qualidade) massa consistente, lixar e polir os componentes, lubrificar e montar tudo de novo. Há pormenores importantes a ter em atenção mas não é nada complicado. Envolve algum tempo e paciência apenas...
Aqui fica o aspecto final dos principais componentes depois deste tunning que espero que produzam bons resultados!

sábado, 13 de outubro de 2007
Triângulo celeste...
A vida devia ter mais destas coisas... Acordar às 5:30 da manhã, sem pressões, preocupações e stresses do dia de trabalho que aí vem, só para tirar uma foto, respirar o ar puro da madrugada e sentir toda a calma e tranquilidade que aquele ambiente escuro, com um ceú fantástico e uma temperatura bem agradável para a época, podem proporcionar.
Quando o telemóvel tocou ainda hesitei, porque o sono, a perguiça e o conforto da cama tem naturalmente peso para quem todos os dias acorda cedo para encarar a tal rotina diária das nossas vidas que pouco tempo nos deixa para apreciar a vida da forma que ela merece... Ao meu lado direito a minha linda esposa dormia como habitualmente tranquila e imperturbável... Ao lado esquerdo a visão privilegiada de um céu semi-rural virado a Este mostrava já todo o seu esplendor - como é óbvio dispenso as persianas, e levanto-me normalmente ao nascer do sol - assim sendo , já com a mochila com a D40 e tripé colocados de prevenção na noite anterior, foi só vestir um agasalho, a abrir a porta da varanda e com dois passos percebi que tinha sido uma decisão acertada.
A presença do triângulo formado por Vénus, Saturno e Regulus era imponente e impossível de passar despercebida. A magnitude de Vénus é incrível e a sua presença no céu da manhã confere ao cenário celeste um aspecto quase mágico.
À medida que as fotos se sucediam la passava um ventinho mais fresco. Olhava para dentro e sabia que me esperava de novo o conforto e o calor da minha cama... Ficava tranquilo e sentia-me bem... Há momentos em que para todo o lado que se olha, tudo faz sentido e tudo é belo...
domingo, 23 de setembro de 2007
Nikon D40 e M31...
Pois é... Pouco tempo depois de deitar mãos à obra para ter uma forma de me entreter com o ceú profundo, eis que surge um brinquedo inesperado com potencialidades bem superiores à webcam, com a qual estava ainda em fase de testes e experimentação.
As DSLR abriram novos horizontes para os entusiastas deste tipo de coisas... Mais do que isso, voltam a aproximar o utilizador comum de um hobbie que cada vez mais parece criar segmentos de classes sociais em que os privilegiados se podem dar ao luxo de brincar com algum do melhor material que se vê para aí, tornando-se quase profissionais da astronomia amadora... E digo isto sem qualquer sentido negativo, tomara eu poder fazer o mesmo! :)
A Nikon D40 está naturalmente na gama mais baixa das DSLR. É mais fácil estabelecer comparações para quem tem acesso frequente a modelos superiores. Não é o meu caso, dado que é a 1ª vez que experimento uma DSLR. Posso no entanto comparar com outras máquinas digitais mais convencionais e o salto qualitativo é absolutamente evidente. Tinha uma SLR manual que me chateava apenas pelo facto de ter que ir revelar as fotos mas com uma qualidade e versatilidade fantásticas. As SLR têm mais do que uma máquina fotográfica point n' shoot, para quem gosta de fotografia na sua essência mais tradicional é um mundo à parte, e digo isto admitindo que não sou nenhum especialista... Uma DSLR reúne assim o melhor de dois mundos. A máquina é mesmo muito boa para todos os fins... E dá um jeitão para a astronomia! Eis o meu 1º ensaio... ISO 800. Integração de 3 x 30 segs. Processamento em photoshop. Tirada com a lua iluminada a 70%.
Foi um promissor 1º teste. Tenho de insistir no alinhamento polar para poder aumentar o tempo de exposição sem o arrastamento já evidente nos cantos da imagem. O nível de ruído verificado foi praticamente nulo com o noise reduction off. Comparando com o meu 1º teste com a webcam modificada que se pode ver no post anterior, as diferenças são evidentes. Para além de todas as vantagens, a focagem é também mais favorável na DSLR. Grande prenda! :)
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Modificação de uma webcam Toucam Pro para longa exposição
Há uns tempos atrás quando comecei a fazer imagens com webcams e comecei a ver informações na net de pessoal a fazer esta modificação pensei: "ora cá está uma coisa que muito provavelmente não vou fazer...". Sempre que olhava para os esquemas e componentes achava de facto que era necessária alguma experiência e conhecimento de electrónica. O tempo foi passando e como também não tinha a necessidade, dado que as condições que dispunha na altura não se prestavam para o céu profundo, acabei por não pensar mais nisso.
Como esse factor agora mudou, voltei a dar uma vista de olhos nos sites que descrevem a modificação e decidi arriscar (...então depois de ver os preços das câmaras dedicadas para este efeito...).
Coloco aqui a minha descrição porque não há por aí muita coisa em português e mesmo a nível de fotos com boa resolução nunca é de mais ter mais um ponto de comparação.
Antes de mais os devidos méritos a quem os tem como é hábito quando se efectua a operação SC. Steven Chambers é o senhor a quem eu e muitos mais agradecem o facto das nossas webcams estarem neste momento aptas para fazer longas exposições.
A operação que fiz foi a SC1, apenas longa exposição usando a Philips Toucam Pro. Eventualmente dependendo dos resultados poderei no futuro pensar na versão SC1.5 ou SC2.
Resta avisar que esta operação pode arruinar a Webcam... Posso adiantar que tive alguns cuidados mas nada de extraordinário. A placa mãe da webcam é bem resistente a umas maldades mas nada de exageros! É fácil avaliar se têm ou não condições para fazer uma operação destas. Abram a câmara e olhem para o seu interior. Localizem os componentes onde vão ter de mexer e soldar... Verifiquem se se acham capazes. Se nunca soldaram nada antes façam testes numa placa de PC que esteja para lá encostada em casa, ou num rádio velho, para tomar o pulso ao ferro de soldar em contacto com a solda. Coloquem e tirem componentes até acharem que já podem avançar a sério... Recomendo sempre lerem tudo que encontrarem na net sobre esta operação. Cada pessoa terá a sua técnica própria e forma de descrever o que faz. Cabe a quem executa escolher as técnicas e formas com as quais se sente mais confortável.
Material necessário:
Conseguir este material é fácil, numa loja de componentes electrónicos (Supertécnica na Rua Santa Catarina no Porto) mesmo que não se perceba muito bem aquilo que se está a comprar, alguém percebe e trata de reunir todos os componentes necessários. Como se pode ver pelos preços, não é por aqui que não vale a pena arriscar...
Ferramentas necessárias (ok, sempre que eu disser FINO, tem de ser fino mesmo! Podem ver nesta foto AQUI qual a escala a que vão trabalhar):
- Ferro de soldar (com a ponta o mais fino possível. Se não arranjarem numa loja, tentem afiá-lo)
- Pistola de cola quente
- Solda
- X-acto ponta fina (no foto reparem que a ponta é da grossura dos riscos da resistência)
- Pulseira anti-estática
- Alicate de pontas
Opcionais:
- Terceira mão... Ou melhor, um suporte para segurar na placa e componentes enquanto se corta, solda, etc... Podem ver um exemplo AQUI. Isto compra-se também em lojas de electrónica, ebay ou mesmo nos chineses talvez se encontre algo parecido...
- Multímetro. Não é determinante mas é importante. Às vezes parece que esta tudo bem ligado mas não existe continuidade e as coisas não funcionam ou funcionam mal. Para dizer a verdade nunca usei este aparelho no decorrer desta alteração. Mas como tinha alguma intermitência no funcionamento do modo de Lx já depois da alteração estar feita, decidi fazer uma revisão dos pontos críticos com um multímetro e lá resolvi o problema. Portanto o meu conselho é, se tiverem usem-no à medida que vão fazendo as ligações. Se não tiverem não é descabido pensar em comprar um, para este ou para outros projectos que entretanto possam surgir. Não são muito caros (a partir de 5€ já se compra um) e fazem jeito. Se estão a pensar: "mas eu não faço a mínima de como usar essa coisa!"... Então vejam ESTE VIDEO no youtube e já está! A função essencial que necessitamos aqui é verificar a continuidade entre dois pontos. Muito fácil!
Esquema:
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Existem várias representações gráficas do esquema da modificação. Fiz este baseado no que está nesta página de Ashley Roeckelein. Optei por colocar imagens reais porque retira um pouco a ideia da dificuldade para quem não está muito à vontade com estas coisas como era o meu caso.
O ideal é imprimir o esquema (este ou outro) para estar sempre consultável à medida que se avança.
1ª Etapa - Preparar o chip 74HC00.
2ª Etapa - Preparar a placa da webcam.
Está na hora de testar a nova webcam! Há vários programas capazes de controlar uma câmera modificada, é desnecessário descrever todos, por isso refiro duas possibilidades, o K3CCD tools e o Desire do próprio Steve Chambers que se pode descarregar no seu site gratuitamente. O K3CCD tools tem também uma versão gratuita que faz este trabalhinho!
Primeiro convém fazer testes com a câmera e a sua lente original. Verificar se não perdeu qualidade na imagem no modo normal, se há presença de interferências na imagem (podem ser provocadas por ligações mal feitas ou algum fio que esteja a tocar onde não deve). Depois começar a fazer exposições (por exemplo numa sala escura ou pouco iluminada) aumentando progressivamente o tempo, por exemplo de 2 segs, 5 segs, 10 e 15... O resultado deve ser uma imagem cada vez mais brilhante. Começamos a ter aqui uma percepção também dos hot pixels provocados pelo aquecimento do CCD.
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Se está tudo ok e já estamos familiarizados com o funcionamento do software vamos fazer o teste a sério! Para já a maior dificuldade está em focar a webcam. Ou seja num planeta é fácil porque a sua luminosidade é suficiente para se ver a sua imagem ao vivo no PC e focar da melhor forma. Uma webcam modificada não tem capacidade de nos dar ao vivo imagens do céu profundo, aquilo que nos fornece são imagens estáticas, obtidas com alguns segundos de exposição. Por isso podemos ter a câmara correctamente apontada para a M31 por exemplo e não vemos nada até fazermos a 1ª exposição. É desta forma crítica que existe previamente a certeza que a focagem está feita para a webcam. Uma possibilidade é apontar 1º para uma estrela bem brilhante (Vega por exemplo) com a ocular, colocar a webcam, tentar localizar a estrela no PC ajustando o ganho nas propriedades da Toucam e fazer o focus ao vivo. De seguida começamos com pequenas exposições de 2 segs e fazemos se necessário um ajuste mais fino. Depois de ter a certeza que temos um ponto de focagem adequado mandamos o autostar ir até o nosso objecto e disparamos! Quando começamos a ver o nosso objecto no PC percebemos que o nosso trabalho foi bem sucedido. Agora começa outra etapa. Aperfeiçoar todas as novas técnicas necessárias para fazer imagens do ceú profundo, bem mais complexas do que as planetárias...
O meu 1º teste deu nisto... 7segs x 8... Mais do que isto já estava a verificar arrastamento nas estrelas fruto do deficiente alinhamento polar... Mas mais importante foi verificar que está tudo operacional!
É um começo! É muito positivo ter os horizontes e possibilidades mais alargados!





































